Apesar de não ser muito notório, terei por certo no meu quadro genético alguma herança das minhas avós e devo dizer que ambas foram senhoras de uma enorme beleza e muito coquetes. Cada uma de seu estilo, mas as duas muito bonitas.
A minha avó materna, que conta com 82 primaveras, é morena, com uma pele muito fina e mate, lábios cheios e olhos castanhos. Dizem que em nova fazia parar o trânsito e vendo as fotografias da época não posso duvidar. Parece-me que era uma mulher muito sensual, vestia com muita classe e de uma forma discreta. Hoje, opta pela cor, gosta muito de se arranjar, pinta as unhas com cores fortes, completa a sua toilette com alguns acessórios e não sai de casa sem passar um batom nos lábios.
Já a minha avo paterna tinha uma pele muito branca, uns grandes olhos azuis que iluminavam o seu rosto e cabelo loiro muito fino e ondulado. Possuía uma bela silhueta, vestia-se com muito gosto e (ab)usava dos acessórios! Tinha uma grande colecçao de sapatos, sandálias e botas coordenadas com malas de mão e também de boinas, gorros e chapéus.
No inicio dos anos 80 teve um acidente e a partir daí foi forçada a andar de canadiana, mas ainda assim não abandonou os seus sapatos de salto e não deixou de fazer os seus passeios.
Também ela não saia de casa sem batom e um pouco de blush nas maçãs do rosto. Recordo-me das suas mãos, com os dedos já um pouco deformados do reumático, mas sempre com unhas compridas e anéis!
Tinha uma grande preocupação com a imagem dela mas também com a minha. Achava que eu era pouco feminina, abusava das calças e sapatos rasos e ténis. Até que, para seu consolo, a partir dos meus 16 / 17 anos comecei a mudar, a usar mais saias, sapatos com um pequeno tacão e a até um pouco de maquilhagem.
Ultimamente, quando me passeio pelo meu bairro e até mesmo em algumas zonas de Paris, tenho-me recordado desta minha avó. Creio que ela se identificaria perfeitamente com a imagem da mulher parisiense.
As senhoras de alguma idade com que me cruzo têm o mesmo tipo. Mesmo já não dispondo das melhores capacidades físicas suportam os scarpins nos pés e apoiam-se em bengalas ou canadianas. Não se esquecem de rematar a sua indumentária com um chapéu e uma écharpe (o que é natural face ao frio que aqui se faz sentir).
Passeiam-se todos os dias, fazem os mesmos percursos e assim se deslocam ao mercado, à padaria, à sapataria, à capelista ou mesmo à loja do chinês, sempre com a mesma classe, o mesmo glamour.
Que rica companhia me faria por cá Mme Olga!
2 comentários:
Gi, beijinho especial por asim falares das tuas avós!
Beubeu
Ressalvo o "asim"... assim não ficou nada apropriado...
Emoções de avós...Bjoca
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