segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Emigrês

Recentemente descobri que sou uma verdadeira poliglota e posso acrescentar no meu currículo mais um idioma corretamente falado e escrito: o emigrês.

O emigres é na verdade a língua mais falada em todo o mundo e, provavelmente, a mais unificadora e que derrota de uma vez por todas os (ainda) defensores do esperanto.

No outro dia, atendi o telefone e do outro lado da linha estava um amigo, igualmente emigrante, com o qual comecei, quase sem dar conta a falar o emigres. No entanto, como ele é emigrante em Espanha, o seu “sotaque” não é o mesmo.

E o que é isto do emigres, perguntam os caros leitores. Não é um novo idioma, já que existe desde que existem movimentos (e)migratórios. Trata-se da língua do pais de origem adaptada ao idioma e gramática do pais de destino.

Assim, temos o emigres de varias origens e com diferentes sotaques: portinhol, portiliano, portifranciu, portislavo, portisko, entre muitos outros, todos com base no português. Mas também existe o francolês, franciliano, francmengo ou mesmo o polonês, o espanholês, o ingrancês, entre inúmeras outras possibilidades.

Actualmente, não é rara a vez em que ao tentar falar em português com o meu interlocutor começam a sair da minha boca frases de um excelente nível de emigres. No entanto, quando esse mesmo interlocutor não é , ou não foi emigrante, e/ou não domina a língua do pais (do meu) destino, arrisco-me a não me fazer entender.

Ainda há uns dias, ao falar com a gardienne do prédio onde moro e que é portuguesa, dei por mim a falar em emigres e assim mantivemos uma conversa durante alguns minutos.

Um dos meus (e vosso) próximos desafios é escrever uma cronica toda em emigres!

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