quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Sim, sou claustrofóbica, e depois?

Esta mensagem vem de uma certa forma na sequência das mensagens "Acidentes acontecem" e "Acidentes II".

As dores na nadega e o tal "vinco" não diminuiram e no final de Agosto fui consultar um médico generalista, que substituia o meu enquanto este gozava as suas merecidas férias. O senhor nem sequer chegou a ver o minha nadega e aconselhou-me a consultar um reumatologista.

E assim fiz, la fui ao reumatologista, que neste caso é uma senhora. Contei-lhe a historia do meu acidente e tenho a clara impressão que ela pensava que eu estaria a exagerar, até ao momento em que lhe mostrei as minhas almofadas traseiras!

Encontrei mais uma pessoa que disse nunca ter visto nada assim... Qualquer dia começo a acreditar que tenho o "rabinho" mais conhecido da cidade!

Para tirar algumas duvidas mandou-me fazer um IRM (Ressonância Magnética) e perguntou-me se sofria de calustrofobia. Como respondi de forma afirmativa, receitou-me um ansiolitico.

Marquei o exame e passei cerca de 3 semanas num estado de ansiedade sem igual. Pedi a um amigo que me acompanhasse pois não fazia ideia de como sairia do exame.

Na semana antes do exame decidi testar o medicamento e tomei-o à noite. Não adormeci de imediato, mas o que é certo é que de manhã tive uma grande dificuldade em sair da cama. Por isso no dia do IRM decidi tomar apenas uma tisana.

Cheguei ao Hospital de Neuilly antes da hora marcada, pois achava que precisava de me relaxar antes do exame. No entanto, um dos técnicos veio chamar-me e aqui dei inicio a uma série de cenas disparatadas, das quais pouco me orgulho, mas que não resisto a contar!

Comecei por lhe dizer que ainda não estava na minha hora e que além disso o meu amigo não tinha chegado, não ia começar a fazer o exame sem que ele ali estivesse, e se me acontecesse alguma coisa? Nem pensar!
O rapaz, olhou-me olhos nos olhos e disse-me de uma forma paternalista: "se lhe acontecer alguma coisa, estamos ca nos! o seu amigo não pode fazer nada e nem sequer pode entrar na sala do exame. Não se preocupe. Tome o seu tempo, dispa-se e vista a bata."

Quando ja estava vestida para o exame, entrei na sala muito a medo e anunciei que era claustrofobica. Mais uma vez o técnico falou-me de uma forma calma e paternalista e disse-me para não ter medo, que tudo correira bem e que ha homens que têm medo de fazer o exame.

Deixei-me no tapete, colocaram-me os braços para tras da cabeça, ataram-me os pés e as mãos e colocaram uma placa na barriga. Fecharam uns cintos à volta do tronco e la me fizeram deslizar para dentro da maquina.

Tentei fechar os olhos, mas ficava tonta, pelo que resolvi abri-los. Fi-lo no momento em que a cabeça estava a entrar no tubo. Sentia-me no universo da série "7 palmos de terra", como se estivesse a entrar num forno crematorio, além disso como a sala tinha muita luz, parecia que estava mesmo a passar para o outro lado. Se juntarmos o facto de que entre o meu nariz e o tubo teria o espaço para uma mão travessa, tinha a ideia de que não conseguiria respirar.

Entrei em pânico e comecei a pedir insistentemente para me tirarem da maquina! "Sortez moi d'ici! Sortez moi d'ici!" gritava aflita e de uma forma descontrolada.
Acabaram por me tirar dali e "desatar-me". Nesta altura eu ja chorava de nervosa e de vergonha.

De novo o rapaz falou-me de uma forma muito calma, dizendo que não precisava de ter vergonha, que era normal e perguntou-me se não queria voltar a tentar e desta vez deixava um pouco da minha testa de fora. Demorei um pouco a decidir-me, mas percebi que seria a melhor opção.

De novo me colocaram pronta para entrar no outro mundo, mas desta vez com uma almofada debaixo da cabeça. Deixaram-me uma pequena parte da testa de fora do tubo, de modo a poder reclinar a cabeça para tras e ver o tecto (e a entrada do tubo).

Perguntou-me se gostava de musica e colocou-me uns auscultadores para ouvir um CD do Michael Bublé. Na palma da mão colocou-me uma "campainha" para os chamar em caso de emergência. Explicou-me que a maquina fazia muito barulho e que havia ventiladores dentro do tubo.

Respirei fundo, pedi ajuda a Deus, enchi-me de coragem e assim fiquei durante 15 minutos!

As musicas do Michael Bublé são na sua grande parte tristes e até mesmo melodramaticas. A ultima que ouvi antes de terminar o exame foi qualquer coisa como "I want to go home", e ao ouvir estas palavras desatei num choro silencioso.

Quando o técnico me veio tirar da maquina, dizia que afinal eu me tinha portado muito bem. Mas de repende, olhou para mim e viu as lagrimas a correrem pelo rosto. "Então, não se sente bem?"
Numa outra situaação teria respondido e reclamado acerca da musica, mas ja estava exausta e não tinha forças para tal!

O resultado do exame foi melhor do que o que se esperava. A ruptura muscular esta recuperada, mas tenho ainda uma ruptura no tecido subcutâneo e um hematoma profundo de 5 cm.
Comecei a fazer fisioterapia ha 2 semanas e parece estar a melhorar!


Haja saude!

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